Associação dos Participantes da PETROS Documento: Os INGÊNUOS?
Autor: Rodolfo Huhn
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OS INGÊNUOS?

Comentários ao Informe PETROBRAS VIDA no 7 que apresenta entrevistas com diversos multiplicadores/palestrantes
No Informe do Plano Petrobras Vida no 7, divulgado na semana de 27/Ago/91, a PETROS informa que "Aposentados vão explicar novo plano". Cita que mais de 30 ex-empregados são liderados e coordenados, a nível nacional, pelo engenheiro civil Nelson Alvarez Lourenço. Lourenço foi convidado pelo diretor da PETROS Sólon.

Gilberto, Barros, Lourenço, Manoel, Miranda Lourenço contará com coordenadores regionais, a saber:
    Engenheiro Manoel Esmeraldo de Souza - Bahia
    Engenheiro Adolfo Paes de Barros - São Paulo
    Contador Gilberto Amaro Rodrigues - Rio e Espírito Santo
    Administrador Manoelito de Miranda Cavalcanti - demais estados

Este grupo fará 500 palestras pelo Brasil.

O Informe VIDA 7 apresenta "entrevistas" com essas pessoas. Em síntese podemos destacar os seguintes pontos merecedores de algum destaque:

Lourenço: Destaca que o IPCA é um índice de reajuste mais adequado. Destaca que a desvinculação permitirá que a Petrobras passe a ter uma política de remunerações mais competitiva no mercado.
Comentários: Depois de muitas repetições - e meses passados - em que a PETROS defendia o INPC, nas últimas semanas o discurso mudou e o índice escolhido passou a ser o IPCA. Ou seja, todos aqueles que analisaram o assunto foram unânimes em afirmar que o INPC não era um bom índice. Sólon e Lourenço parecem que procuraram fazer a lição de casa e descobriram a mesma coisa, devem ter recebido algumas aulas de reforço em aritmética para chegarem à mesma conclusão. Mas devem insistir, talvez com um pouco de esforço consigam descobrir que este IPCA também é péssimo. Contudo, como tivemos oportunidade de citar em outras oportunidades, IPCA é o nome do "bode" da vez. Reconhece que a Petrobras paga mal e que os aposentados estão insatisfeitos. Quer dizer que a mudança de Plano interessa mais para a Petrobras. Os aposentados estão insatisfeitos em razão de ser a PETROS contumaz inadimplente com as obrigações assumidas com seus associados.

Manoel: Diz que as relações entre a PETROS e a Petrobras e entre estas e os aposentados e pensionistas não serão alteradas em nada. Que isto vale, também para as subsidiárias do Sistema Petrobras. Que estas relações são reguladas por leis.
Comentários: O que Manoel disse: além de falar o óbvio, cometeu um grave erro ao afirmar que o novo Plano não alterará as diversas relações. É claro que estas relações serão profunda e dramaticamente alteradas. Toda a essência e objetivos do novo Plano são substancialmente diferentes. Logo: ou Manoel não sabe de nada e precisa se informar melhor, ou seria melhor que ficasse calado para não passar por este vexame.

Barros: Informa que o benefício do novo Plano continuará suplementar ao do INSS. Os dependentes vão ter direito ao benefício de pensão por morte.
Comentários: Ou seja: o plano Novo é igual ao Atual. Parece que é isto que quis dizer. É a mesma situação do Manoel.

Gilberto: (Presidente da PETROS entre 1988 e 89) O Plano Atual não está sendo bem aceito pelos novos empregados. Três mil empregados atuais não aderiram ou se desvincularam. Julgam o atual Plano muito caro e os aposentados reclamam que os custos não acompanham os benefícios.
Comentários: Já tivemos oportunidade de abordar este aspecto. O Plano Atual não é mais atrativo em razão das próprias alterações que vieram sendo introduzidas pela PETROS e de sua conivência e subserviência à Petrobras e ao governo FHC. Várias propostas foram apresentadas à PETROS, que, porém, jamais mereceram qualquer análise. A situação atual é apenas uma decorrência natural da inépcia administrativa dos dirigentes da PETROS. Porém não se iluda, existem muitos intere$$es para que as mudanças venham a ser adotadas, ou será que existe alguma dúvida?

Mirandão: Declara que absolutamente nada muda para os aposentados e pensionistas, os benefícios continuarão os mesmos, incluindo a assistência vitalícia da AMS.
Comentários: Nada disse, é tudo "farinha do mesmo saco". Já que nada muda é de se crer que o melhor é mesmo ficar no Plano Atual.

O Informe VIDA 7 dedica uma página inteira ao Chefe da Assessoria de Planejamento da Presidência da PETROS, engenheiro químico Roberto Costa, e que é responsável pelo Programa de Qualidade. Vejamos se há algo a destacar:
Roberto Costa: O plano Novo permite que o empregado constitua seu patrimônio através de contribuições definidas por ele.
Comentários: E daí? Pode ser bom ou ruim. Quanto receberá após cumprir o período de contribuição? Ninguém sabe. Mas em nenhuma hipótese é melhor do que o Plano Atual bastando que este seja mais atrativo e eficaz. Ou seja, falta trabalho, honestidade de objetivos e competência aos dirigentes da PETROS.

Roberto Costa: A solidariedade não acabou de jeito algum. Quando o empregado se aposenta passa a ter a garantia da correção plena por um indexador.
Comentários: Ou nada entende, ou é muito cínico. Para Roberto a solidariedade se limita à correção do benefício por um indexador? Isto não é solidariedade. Solidariedade seria se, a exemplo do Plano Atual, o benefício fosse garantido pela Petrobras, independentemente de ser a PETROS bem ou mal administrada, se houvesse uma obrigação jurídica entre a PETROS e a Petrobras, obrigação de pagar os benefícios decorrentes do acordado com o associado contribuinte quando este se vinculou à PETROS. O Novo Plano não oferece isto, muito pelo contrário. A PETROS e a Petrobras querem é justamente romper esta garantia dos beneficiários.

Roberto Costa: Entre outras vantagens cita que o desempenho do Fundo poderá ser melhor acompanhado pelos participantes através de seus representantes que constituirão metade do Conselho Deliberativo e Fiscal, sendo que no Fiscal terão o voto de Minerva.
Comentários: Repetimos o que já dissemos em outras ocasiões. A PETROS reconhece que hoje os participantes não têm oportunidade de verem prevalecer seus anseios - Vide exemplo dos votos contrários de dois dos atuais curadores, Maranhão e Paulo César, sobre o Novo Plano. Por que possibilidade não existe hoje? A resposta é simples: porque a PETROS e Petrobras não querem. Mas o novo Plano terá esta vantagem? Claro, pois tanto a PETROS como a Petrobras deixarão de serem obrigadas a dar garantias. Pessoal vamos prestar atenção em tudo o que está sendo informado, as contradições são permanentes, desde que a PETROS e a Petrobras começaram a querer nos "vender" o Novo Plano. É tudo uma grande vergonha. O pior de tudo é que Roberto é responsável pelo Programa de Qualidade da PETROS. Talvez este fato, por si só, explique muita coisa, pois, para mim, qualidade é uma coisa completamente diferente daquilo que a PETROS vem praticando nos últimos anos.

Roberto Costa: O que a PETROS busca é transparência, o caminho da Certificação Total.
Comentários: Desafio a qualquer participante que mostre o NOVO PLANO PETROBRAS VIDA. Até esta data não está disponível. Vá hoje a PETROS, telefone agora, peça um exemplar para que você possa analisa-lo. Você na conseguirá. Então esta é a busca da transparência e do caminho da certificação total? Só pode ser uma enorme brincadeira de mau gosto, e a platéia, que somos nós, é toda constituída de bobos e palhaços. Sem outros comentários...

Roberto Costa: Se tiver dúvidas procure se informar com quem conhece o plano Petrobras Vida. Diz que já sabe o que precisa saber.
Comentários: O Plano não está disponível até hoje (31/Ago/01), logo ninguém pode afirmar que conhece o Plano Novo, pois será mentiroso, assim como faltam com a verdade todos os aqui citados.
Finalizando resta saber se os voluntários multiplicadores palestrantes, convencidos que foram das "inúmeras vantagens" que o novo Plano PETROBRAS VIDA, estarão prestando um serviço de utilidade, para todos os atuais e futuros beneficiários, de forma altruística. Caso contrário, qual será a vantagem a ser percebida por estes dedicados companheiros?

É tudo muito entristecedor...

Rodolfo Huhn - 31/08/01

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