Associação dos Participantes da PETROS Documento: Lavagem Cerebral
Autor: Rodolfo Huhn
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LAVAGEM CEREBRAL (ou SERÁ QUE SOMOS RETARDADOS?)

Companheiros,

  No dia 13/Jul/01, foi feito o lançamento oficial da campanha da migração. O evento ocorreu no auditório da PETROBRAS com a presença da alta administração. Os executivos mais importantes da empresa conheceram as peças de propaganda produzidas pela agência Propeg e o simulador da migração desenvolvido pela Petros. Na oportunidade, o presidente da Petros, Carlos Flory, e o diretor de RH da Petrobras, José de Lima Andrade ressaltaram o papel relevante que os gerentes-executivos e gerentes-gerais terão no processo de migração do plano velho para o novo Plano Petrobras Vida.

  Já na manhã de quarta-feira, 25 de julho, a Petrobras e a Petros deram início a uma nova operação: chegou a vez de multiplicar. Mais de cem empregados das empresas do Sistema Petrobras receberam explicações minuciosas do Presidente da Petros, Carlos Flory, e do Diretor de Benefícios, Solon Guimarães, sobre a migração do plano velho para o novo Plano Petrobras Vida. A PETROS chamou o evento de "Primeira aula".

  A PETROS informa, ainda, que o treinamento vai continuar sendo dado por técnicos da empresa de consultoria internacional William M. Mercer, contratada por ter larga experiência em campanhas de migração, todas bem-sucedidas.

  No Site da PETROS está divulgado que "juntos, a maior empresa brasileira e o segundo maior fundo de pensão do país vão fazer uma campanha de divulgação, como jamais se viu na Petrobras...".

  Portanto, o trabalho de convencimento começou, e começou pesado. Renomadas empresas foram contratadas para o trabalho de convencimento dos participantes. Se o Plano é tão excepcional, porque há necessidade de se investir, possivelmente centenas de milhões de reais - estas empresas não cobram barato - , neste convencimento? A conclusão é sua.

  Mais de cem empregados, nesta primeira "rodada" foram convocados para serem multiplicadores no processo. Mas, gente, se é tão bom, porque jogar tanto dinheiro fora (com treinamento, propaganda, HHs, etc., etc.)? Estes colegas aderiram voluntariamente? Puderam recusar a convocação? E os que se seguirão? Terão liberdade para recusar? Novamente a conclusão é sua.

  Neste ponto entra uma questão. Conversando com colegas que estão na ativa, ficou patente o receio de sofrerem algum tipo de represália se não aderirem e não participarem no processo de convencimento. Será que isto é alguma novidade? Será que os aposentados já esqueceram de situações similares no passado? Com certeza você tem a sua opinião.

  O Diretor-Gerente de RH da Petrobras, José Lima de Andrade Neto, declarou que "a mudança não vai acontecer por imposição governamental, mas pela necessidade de tornar o plano previdenciário mais atraente para os atuais e futuros empregados". Em recente entrevista (JB, 20/Jun/01), o ministro da Previdência, Roberto Brant declarou: "O enquadramento dos fundos às normas do governo deve acontecer em clima de grande reserva. Especialmente porque as entidades mostram grande boa vontade para negociar e se enquadrar". É evidente que a "mudança não vai acontecer por imposição governamental" já que as "entidades mostram grande boa vontade para negociar e se enquadrar". É claro que se eu concordo, você concordar, ele concordar, nós concordarmos com tudo o que nos pedirem, não haverá qualquer conflito. O governo quer que nós nos enquadremos ... Ocorre que eu não sou lacaio, nem vassalo desse (des)governo. Muito menos vagabundo, como teve a ousadia de me chamar (aliás o que está aí não é exemplo para ninguém, nem para nada). Somente acho que todos devemos ter um mínimo de senso crítico e avaliar o que está sendo oferecido.

  No último Informe VIDA, o de no 5, a PETROS informa que o Plano já foi aprovado pelo DEST (Departamento de Controle das Empresas Estatais) e que só falta a aprovação da SEC (Secretaria de Previdência Complementar) - aquela em que a titular foi demitida. Ocorre que não conheço ninguém que tenha recebido uma Minuta sequer do dito Plano. Mas a PETROBRAS e a PETROS estão gastando fortunas antecipadamente! Sim estão gastando por conta! Mas como se ainda não há certeza de que o Plano seja aprovado? Será gente? Será que não é tudo um jogo de cartas marcadas? Neste jogo, não estamos sendo meros espectadores (ou sabidos perdedores)? Será este o único papel reservado para nós? Vamos ser os últimos a conhecer o Plano? E se não concordarmos, como fica tudo? E se eu tiver na ativa, será que eu poderei decidir sem nenhuma pressão? Suas são as respostas.

  Por estes e vários outros fatos é que, se antes pensava que poderia haver realmente alguma vantagem na migração, a cada dia que passa, fico mais convencido de que algo "não cheira bem" em tudo isso. Seja pela forma, pelas ameaças veladas (algumas nem tanto), pela venda de uma imagem totalmente favorável à migração, pelos rios de dinheiros que começam a ser gastos (será que houve concorrência para as contratações? Deve ter havido), pelas insinuações de menosprezo aos que não migrarem, pelos votos contrários de dois dos Conselheiros, pelas declarações do presidente da PETROS (entre as quais disse que até meados de junho receberíamos a oferta de migração), etc., etc., e etc., nada mostra que a migração é vantajosa. Muito pelo contrário, tudo indica ou infere-se, na melhor das hipóteses, que o processo de migração está eivado de vícios, vícios insanáveis no meu particular modo de ver.

  Mas, gente desculpe, é muita coisa para expressar e pouco o tempo para escrever, tem mais. Ainda no Informe, aquele de no 5, acenam com o aumento dos representantes dos empregados nos Conselhos da PETROS, ou seja, "o Participante terá mais uma garantia de que o Plano Petrobras Vida será bem fiscalizado". A PETROS parece deixar transparecer que hoje não há fiscalização adequada, ou, se existe, é necessário que haja garantia de uma fiscalização maior. Estou pasmo! Verdade!

  Diz ainda o Informe, o de no 5, que "A paridade já é lei: haverá o mesmo número de representantes de empregados e da empresa, nos Conselhos Deliberativo e Fiscal." Ora, se é lei e é boa para todos os interessados, cumpra-se a lei. Qual a novidade? Será que a lei não vai ser cumprida para o Atual Plano, para os que não migrarem? Quanto às auditorias, não devem ser sempre independentes? Parece que a resposta é mais do que óbvia.

  Gente, a coisa não pára por aí!
  Vejam a notícia: "a Petros está preparando seu Código de Ética, o primeiro de um fundo de pensão brasileiro, que será examinado na próxima reunião do Conselho Deliberativo. Além disso, a Petros é submetida regularmente a auditorias externas independentes." Código de Ética? Será que os que decidem nossos destinos, aplicam nossos recursos, não foram adequadamente selecionados? Agem sem ética? E, neste caso, é um código qualquer, cheio, talvez, de boas intenções, que irá resolver o problema (sabemos o lugar que de boas intenções está cheio)? E as auditorias, não devem ser independentes? Qual a novidade que não entendi?

  Não tem mais? Tem!
  Como novidade declara a PETROS: "está sendo montada uma nova área, que vai estudar e prevenir os riscos que podem afetar o fundo de pensão e seu plano de previdência complementar." Ai, ai, ai... e eu que, sinceramente, acreditava que a PETROS fazia seus investimentos sempre atenta aos riscos e procurando minimiza-los. Pelo visto está tudo "ao Deus dará". A PETROS está declarando que suas aplicações eram e são feitas com base em outros critérios? É isto mesmo? Talvez isto explique muita coisa... e que o Senhor nos ajude.

  Continuo achando que tudo, pelo menos daqui para frente, dependerá cada vez mais de nós e de somente de nós.

  Rio, 31/07/01

  Rodolfo Huhn
  Mantenedor-Beneficiário da PETROS

  Fonte: Site da PETROS - Informe Vida no 5 - Jornal da PETROS, Jun/01

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