Associação dos Participantes da PETROS
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APAPE: Os Carolinas da PETROBRÁS
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Cometários da Participe da APAPE:
OS "NOVOS" EMPREGADOS E "OS CAROLINAS" DA PETROBRÁS

A demora das empresas que compõem o Sistema Petrobrás em resolver questões simplórias já faz com que os novos empregados possam ser considerados seminovos (pelo menos uma boa parte deles). Ou seja, os empregados admitidos no final do século XX (a partir de 1997), passados oito anos, não conseguem sensibilizar as sucessivas administrações da Petrobrás para que lhes seja conferido o princípio da Isonomia. Dos admitidos no século XXI, os "novos", nem se fala. Não têm direito à PETROS; a AMS é diferenciada; assuntos como periculosidade e salários dissimilares são desconsiderados.

Há de se indagar por que a Petrobrás age assim? Gente, é só lembrar o que motivou a Petrobrás a tentar impingir o Plano Petrobrás Vida - PPV, em 2001. Naquela ocasião era considerado fundamental para os interesses de determinados grupos econômicos, a privatização da Petrobrás. Apenas para citar um dos detalhes, as ações (ADRs) na Bolsa norte-americana sofrem influências diretas do chamado "passivo trabalhista". Pelas normas de contabilidade da "CVM norte-americana" as obrigações da Petrobrás com o Plano Atual - de Benéfico Definido - têm reflexo negativo direto nesses títulos, dificultando a negociação dos mesmos e, por conseqüência, a privatização da Empresa (torna o negócio menos interessante/lucrativo). Assim, tinham que impor um plano de Contribuição Definida, um plano financeiro em que os contribuintes/empregados não possuem qualquer garantia. No plano Atual - de Benefício Definido -, caso haja qualquer déficit, as empresas mantenedoras (Petrobrás e demais do Sistema) terão que "bancar" o prejuízo, exceto se os princípios constitucionais vierem a ser quebrados (contrato juridicamente perfeito, direito adquirido,...). Agora, volta a Petrobrás ao tema, em apresentação e sob foco temos o Plano PETROS II, de Contribuição Definida!

Mas como chegamos a este ponto. Simples! O plano foi engendrado para ser desenvolvido ao longo de vários anos ou décadas. Toda grande corporação faz planos para longo prazo! Já dissemos que no Brasil não só se entregam os anéis como os próprios dedos. E, somos um país quase maneta.

Assim foi com as criações estúpidas das Agências Nacionais (... e um viva aos cargos remunerados...). Tudo aumenta muito acima da inflação (luz, telefone,...) e há sempre uma tola explicação. E a CVRD (Vale do Rio Doce), empresa altamente lucrativa e com um quadro técnico muito competente, foi "vendida" em condições que qualquer um de nós poderia comprar. Porém, a "licitação" era dirigida de tal forma que nós, ainda que quiséssemos, não poderíamos ter participado da licitação. As explicações são óbvias.

Mas, excetuando os privilegiados (só existe uma classe que os engloba neste país), todos os demais brasileiros perdem a cada ano, a cada dia. Reservas de petróleo, prospectadas e avaliadas pela Petrobrás - com elevados investimentos e pesquisas de alto grau tecnológico (o CENPES ia ser terceirizado; como é que é...?) -, foram repassadas para que a ANP (Agência Nacional do Petróleo) "licitasse" os campos (um andar inteiro no EDISE foi interditado para que as empresas interessadas pudessem ter acesso aos dados dos campos de petróleo). E a Petrobrás teve que pagar por um trabalho que ela própria desenvolveu. Em outras palavras, os governos "brasileiros" (que elegemos) expropriaram bens e direitos da Petrobrás e os repassou para outros grupos. Crime de lesa-pátria! (os ministros do STF assim não o consideram - que país é esse?). Leilões após leilão vão-se os campos de petróleo, ainda que a Petrobrás, naquilo que lhe permitem (para não dar muito na vista), consiga arrematar algumas dessas áreas (muitas em parceria com multinacionais) e gastando duas vezes.

Mas, e o que tem isto a haver com os "novos", "seminovos", antigos e "os mais experientes"? É que no dia de 04/11/05, no saguão do EDISE, mais de 300 pessoas estavam reunidas para externar suas reivindicações. Dessas, menos do que cinqüenta aposentados (os "mais experientes") estiveram presentes. E, olhe, nós, aposentados, somos a maioria.

A Petrobrás foi construída com muito patriotismo, idealismo e trabalho. No seu início foi objeto de desdém pelas empresas concorrentes do ramo. Construímos a Petrobrás, fizemos ela crescer, fizemos ela ganhar prêmios em tecnologia, e continuam querendo destrinchá-la, esquartejá-la, e "entregá-la de bandeja". A "reestruturação" da Petrobrás, feita no governo passado, está mantida pelo atual. "Ótimo, se não serviu para privatizar, serve para empregar" apaniguados em funções redundantes - com invejáveis salários -, para gáudio dos que se prostituem pelo poder.

Ao longo da história, foram os ideais que moveram a Empresa. Foram os desafios que fizeram com que muitos de nós trabalhássemos sem se preocupar com horas extras e outros benefícios, direitos estes que até deveríamos ter recebido. Mas pensávamos Petrobrás; idealizávamos nosso Futuro; sonhávamos BRASIL.

A participação dos empregados mais novos na manifestação realizada no EDISE foi um alento renovado. Retrocedemos. Relembra o nosso passado.

Mas, os aposentados, onde estavam? Enquanto os novos empregados estão aprendendo a pedir melhorias e condições iguais aos dos mais antigos, os "mais experientes", se esquecem do passado e se transformaram em "Carolinas".

Chico Buarque poetizou:
"Carolina, Nos seus olhos fundos, Guarda tanta dor, A dor de todo esse mundo

Eu já lhe expliquei que não vai dar, Seu pranto não vai nada mudar,
Eu já convidei para dançar, É hora, já sei, de aproveitar, Lá fora, amor,

Uma rosa nasceu, Todo mundo sambou, Uma estrela caiu,
Eu bem que mostrei sorrindo, Pela janela, ói que lindo, Mas Carolina não viu
...
Carolina, ..., Agora não sei como explicar
Lá fora, amor, Uma rosa morreu, Uma festa acabou, Nosso barco partiu
...
Eu bem que mostrei a ela, O tempo passou na janela, Só Carolina não viu"
Os aposentados são verdadeiras "Carolinas", estão na janela vendo o tempo passar.

Os novos cantam, sem saber, como cantávamos no passado (tão presente...): "Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer" (obrigado Vandré).

Nossos cumprimentos ao Sindipetro/RJ (que motivou a manifestação). A APAPE se fez presente.

Parabéns aos novos!

Os hoje travestidos de "Carolinas" que voltem a lembrar e agir como fizemos no passado. Lembrem, o futuro depende de cada detalhe agora realizado.

Rodolfo Huhn - Nov/05
Diretor Secretário da APAPE


Obs.: Este texto foi elaborado por Rodolfo Huhn, Diretor Secretário da Participe da APAPE, em consonância com os objetivos constantes do Estatuto da Associação.


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