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CARTA ABERTA DOS EMPREGADOS AO PRESIDENTE DA PETROBRAS: PLANO PETROBRAS VIDA
Sr Presidente,
Tomamos conhecimento da carta de V.Sa. de 10/10/01 e, pelo tom sincero de vossas palavras, nos sentimos confortáveis para alertá-lo sobre alguns aspectos deste plano. Sr. Presidente gostaríamos até de acreditar naquilo que foi escrito, pois é também nosso desejo o de ter um futuro melhor. Acreditamos também que V.Sa. tenha escrito aquela carta com convicção, pois imaginamos quão difícil deve ser, na sua posição, bem ver (enxergar) tudo o que ocorre na Empresa.
No entanto, Sr. Presidente, a realidade parece bem outra. Nem a que está na vossa carta e nem a que está em nosso desejo. O plano sendo oferecido pela Petros não condiz com a imagem da Petrobras, uma Empresa pujante e de alta rentabilidade que, além de ser a maior Empresa brasileira, é também líder mundial em tecnologia; nem tão pouco com o que merecem seus empregados, responsáveis por esse desempenho.
O plano Petrobras Vida estava sendo esperado como um marco na história dos planos de previdência, ou seja, algo inovador, inteligente e digno da importância da Empresa. Mas, pelo contrário, lançado bem depois de muitos outros, o plano não consegue nem incorporar os avanços dos que o antecederam e, muito pelo contrário, retrocedeu a ponto de ser considerado como o pior plano de CD já apresentado, ou seja, um plano medíocre.
Sr. Presidente, é lamentável que, mantido esse plano como está, a imagem da Empresa e de seus empregados, que a tanto custo construímos, vai ficar bastante danificada. Embora nos sensibilize o vosso empenho em nos dirigir sua palavra, sentimos claramente que, assim como nós, também V.Sa. está sendo enganado sobre o novo plano:
A Petrobras chegou ao atual destaque, não por graças de outros, mas pelo trabalho, inteligência e dedicação de seu corpo de empregados, que nunca se furtou ao dever de dar de seu melhor para solucionar as suas questões;
Não seria diferente no momento de adequar algumas questões que envolvem o Plano Petros, tanto do lado da empresa como dos empregados (participantes), que estes iriam se negar em encontrar a melhor solução para as partes;
No entanto, a Petros, encarregada de fazer as adequações, adotou uma postura fechada, ditatorial, sem a devida atenção e respeito aos participantes, postura essa provavelmente ditada pela necessidade de mascarar o seu despreparo para a missão. Os empregados da Petrobras e Subsidiárias, os maiores interessados nesta questão, não tiveram participação na elaboração do plano. As poucas informações que obtiveram foram através de caminhos tortuosos e argúcia de alguns denodados, mas não da Petros/Petrobras. Conseqüentemente Sr. Presidente, o Petrobras Vida não passou por todas as esferas de discussão e nem foi submetido a todas as instâncias internas, como lhe informaram.
Sr. Presidente, o plano Petrobras Vida não é simplesmente o pior do mercado. É mais do que isto: é indigno para com os funcionários da sua Empresa:
O plano pretende congelar o poder aquisitivo dos empregados (salário de ativos e benefícios de aposentados e pensionistas) no pior nível de todo a história da Petrobras. O cálculo destes benefícios parte de uma base extremamente aviltada, onde os salários de hoje (base de cálculo) representam apenas 25/30% do que eram no final da década de 70;
A contribuição da empresa para a "conta aposentadoria" (Conta Patronal) do empregado, de no máximo 56%, não permite, ao longo de uma vida contributiva normal, acumular um saldo suficiente que garanta um benefício digno, ao se aposentar. Os planos similares, de empresas muito menos expressivas do que a Petrobras, oferecem no mínimo 70%;
O índice oferecido para reajuste anual do benefício, IPCA, é de pior desempenho e considerado como de baixa credibilidade por ser altamente manipulado pelo governo. Conseqüentemente é incapaz de, pelo menos, manter o já empobrecido poder de compra dos salários e benefícios.
Sr Presidente, muitos outros pontos poderiam ser elencados com relação a este plano que estão nos impondo, e antes de comecem as pressões de migração, em cadeia, dos chefes sobre os seus comandados, modelo recomendado pelos elaboradores do plano, gostaríamos que V.Sa. pudesse ouvir o lado não consultado, os empregados, os maiores interessados na questão. Tentamos nos aproximar de V.Sa. para mostrar os desequilíbrios do plano, que vem contabilizando grandes ganhos para a Petrobras e Petros, e enormes perdas para os empregados, mas fomos sempre barrados com a alegação de que os pontos levantados poderiam ser negociados a níveis inferiores. Porem, até agora, de vossos interlocutores, só encontramos falações repetitivas, destinadas simplesmente a protelar as soluções.
Finalmente, Sr. Presidente, é lamentável que a Petrobras tenha gasto tanto para chegar a tão pouco. Muito melhores resultados teriam sido obtidos se a sinergia Empresa/empregados, com tanto sucesso aplicado em outras áreas, aqui também tivesse sido usada. Se antes já estávamos ressentidos por estarmos sendo enganados, agora, com vossa carta, ficamos mais ainda, por vermos que não somos os únicos.
Empregados da Petrobras e Subsidiárias
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