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Folha de São Paulo - ELIO GASPARI - A 12 - Brasil - 08 de julho de 2001
O Globo - ELIO GASPARI - 08 de julho de 2001
Colaboração: João Claudio Saldanha de Mendonça
A Petros enfrenta denuncismo e a falta de educação
Um caso para pensar nos limites entre a denúncia e a calúnia, entre a investigação e a intimidação.
Em fevereiro, a Secretaria de Previdência Complementar recebeu uma acusação contra a Petros. Coisa pesada. Ela teria assinado com o banco Itaú um contrato de centralização dos seus serviços de custódia, ao preço de R$ 2 milhões por mês, valor muito superior ao que pagava à empresa CLC para fazer o mesmo serviço.
Podia-se supor que o denunciante chamava-se Edvaldo Lopes da Silva, pois assim ele grafou seu nome (a máquina), sem ter aposto à carta sua assinatura. O envelope, manuscrito, informava a mesma identidade e, lisamente, fornecia o endereço do remetente.
Disso resultaram duas coisas. Uma carta da então secretária de Previdência Complementar, Solange Vieira, agradecendo-lhe a denúncia, informando que a Petros fora chamada a se explicar e prometendo notícias futuras. No dia 16 de fevereiro, a doutora Solange informou à imprensa que mandara um fiscal à Petros para investigar o caso. Nas palavras de quem a ouviu: "[As] denúncias de que o fundo teria gastado R$ 2 milhões para contratar o banco Itaú como custodiante de seus investimentos".
Graças aos céus, havendo quem denuncie, há quem apure. Infelizmente, Asmodeu esconde-se nos detalhes.
A denúncia continha um absurdo matemático. A Petros não contratou o banco Itaú por R$ 2 milhões por mês, mas por R$ 1,8 milhão ao ano. Fez isso por meio de uma licitação na qual concorreram seis bancos. Mais: a CLC não fazia o mesmo serviço, mas apenas uma parte dele.
Depois de receber a carta de agradecimento pelo alerta, Edvaldo Lopes da Silva, um vendedor de sapatos femininos da Baixada Fluminense, escreveu à Secretaria de Previdência Complementar, informando-a de que jamais fizera a denúncia, de que não entendia do assunto e de que não sabia o significado da palavra Petros. Solicitava que o não-dito ficasse pelo não-dito.
O fundo Petros acredita, de boa-fé, que já prestou as informações necessárias à comissão de investigação. Ainda assim, ela teve o seu prazo prorrogado. Desde o final de maio, o fundo não consegue saber dela. Mandou-lhe duas cartas (a última no dia 25), perguntando a que conclusões chegara. Não teve resposta, nem sequer acusando o recebimentos das indagações.
Passados cinco meses de uma denúncia de origem comprovadamente fraudulenta e quatro das explicações da Petros, ela não consegue saber a que conclusão os investigadores chegaram, se é que chegaram a alguma.
A Secretaria de Previdência Complementar teve a boa educação de agradecer, em menos de uma semana, a um denunciante que lhe mandou uma carta sem assinatura. Custa pouco dispor dessa mesma educação para dar resposta a qualquer das duas cartas que lhe mandou a Petros.
ELIO GASPARI
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