Associação dos Participantes da PETROS Documento:
É IMPOSSÍVEL ENTENDER AS APLICAÇÕES DOS FUNDOS
Fonte: Mídia citada
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Fontes:
Sítio da PETROS
FSP - B8 - DINHEIRO - 05/08/05: Fundos de pensão planejam vender teles - Previ defende acordo com o Citigroup
JB - A5 - PAÍS - 05/08/05: Prejuízo na Previ ajuda banqueiro
FSP - A3 - BRASIL - 24/07/05: Previ e Opportunity contestam Valério
FSP - A14 - BRASIL - 24/07/05: Pizzolato questiona acordo entre Previ e Citi
Dinheiro Vivo - 21/6/2005: A aposta da Previ



Comentários da Participe da APAPE (com base nas notícias da mídia):

É IMPOSSÍVEL ENTENDER AS APLICAÇÕES DOS FUNDOS

A lei determina que nenhum investidor pode ter o controle acionário de mais de uma operadora de telefonia. Os fundos passaram a participar da Brasil Telecom e da Tele Amazônia Celular. Em 2004 a ANATEL impôs que os fundos tinham que optar entre uma ou outra. Apesar de pareceres técnicos contrários, os Fundos ficaram no controle da Telemig Celular. Simultaneamente, os Fundos assinaram um acordo se comprometendo a comprar as ações do Citigroup na Telemar e Brasil Telecom, prometendo pagar R$ 1,3 bilhões para assumirem controle dessas empresas e pagando 300% acima do valor no mercado, porém terão que vender essas ações até março de 2006.

Apostam os Fundos (Previ, PETROS e Funcef) que haverá uma sobrevalorização dos preços em razão de estarem, no futuro, vendendo o controle acionário dessas empresas.

Trata-se de uma aposta com alto risco. Talvez por esta razão o assunto tenha sido tratado de forma tão velada. Contudo, sendo uma operação com risco maior do que a média e que o acordo já foi fechado, os Fundos deveriam esclarecer os detalhes da negociação.

Há muitas informações contraditórias. Citam-se nomes como Gushiken, DNA, Marcos Valério e outras personagens como tendo participado direta ou indiretamente na montagem do negócio.

Tudo é muito estranho.

Em 04/08/05 a PETROS colocou no seu Sítio (Site) na Internet o seguinte texto:
"Dirigentes dos três maiores fundos de pensão do país concederam entrevista coletiva à imprensa, dia 4 de agosto, para explicar tecnicamente as relações com o banco Opportunity no caso dos investimentos nas empresas de telecomunicações. Participaram do encontro Wagner Pinheiro (Petros), Sérgio Rosa (Previ) e Guilherme Lacerda (Funcef), além de Alberto Guth, da Angra Partiners, e Sergio Spinelli, advogado do Citigroup. (04/08/2005)"
Junto ao texto é mostrada foto onde está presente, entre outros, Wagner Pinheiro presidente da PETROS.

Até às 22:00 de 08/08/05, não havia nenhum texto no sítio da PETROS fornecendo a explicação técnica que supostamente foi apresentada na aludida entrevista coletiva à imprensa de 04/08/05.

Procuramos na imprensa os esclarecimentos técnicos. Não encontramos (como dissemos, nem no site da PETROS). Talvez tenham sido por demais técnicos e os jornalistas presentes ainda estejam tentando entender a explicação.

Realmente não é possível entender e, pior, nenhum dos vários Fundos envolvidos esclarece algo - muito menos a PETROS. Novamente, é de se concluir que são operações realizadas por uma minoria aboletada no poder que julga não ter que dar nenhuma explicação. Estas administrações dizem - pelo menos a PETROS - que tudo é "transparente" e o objetivo seria a nossa "tranqüilidade".

Luis Nassif coloca muito bem: "Nesse jogo de desconfianças mútuas, até agora há apenas dois ganhadores claros: o Citigroup e Daniel Dantas". Pelas informações disponíveis, está é a melhor explicação. Não conseguimos encontrar outra.

A PETROS tem como lema "A sua tranqüilidade é a nossa marca". Parece-nos, cada vez mais, que o pronome possessivo "sua" quer significar a "sua deles". Parece querer dizer que a administração objetiva garantir a sua própria tranqüilidade; parece que tentam consertar um defeito no negócio original; a compra inicial das ações. Porém correm o risco de fazer uma operação tão ruim quanto a outra. Na verdade, nós é que estamos no jogo e risco, eles não. É o nosso patrimônio que está na mesa.

Ficamos todos nós a mercê deles, que se julgam no direito de fazerem operações de elevado risco e, mesmo após uma delas ser divulgada pela mídia, ficamos sem saber exatamente os detalhes.

Vocês já imaginaram se esta administração se julgasse como não sendo "transparente"?

PETROS joga na roleta com o nosso patrimônio! Será que alguém ainda confia nessa administração?

08/08/05
Rodolfo HUHN
Diretor Financeiro da APAPE

VENHA PARTICIPAR DA APAPE!

Obs.: (Acepções usadas pelo autor; para efeito hermenêutico/processual)
Personagens: Pessoa notável, eminente, importante; personalidade, pessoa.
Aboletar: Alojar, acomodar, instalar.
Fonte: Dic. Eletrônico Houaiss; Dic. Eletrônico Aurélio



FSP - B8 - DINHEIRO - 05/08/05 (transcrição)


LIGAÇÕES PERIGOSAS
Instituições devem negociar Telemig e Amazônia Celular ainda este ano, assim que assumirem a gestão

Fundos de pensão planejam vender teles
JANAINA LAGE
DA FOLHA ONLINE, NO RIO

Os maiores fundos de pensão do país planejam se desfazer de suas participações em empresas de telecomunicações adquiridas no processo de privatização. Duas empresas deverão ser colocadas à venda ainda neste ano: Telemig e Amazônia Celular, segundo Alberto Guth, diretor da Angra Partners (que reúne a participação de fundos como Previ, Funcef e Petros nas teles).

Segundo o diretor, o controle dessas empresas deverá ser vendido logo após os fundos de pensão assumirem a gestão dessas companhias. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) determinou que o Opportunity seja substituído pelos fundos de pensão na gestão das empresas.

Como elas são controladas por meio de complexa estrutura societária, que envolve diversas empresas controladoras, o processo de substituição do Opportunity, que começou em abril, ainda não foi concluído. O prazo estimado para que essa mudança aconteça é de até três meses, segundo Guth.

O diretor destaca que a mudança não representará uma alteração generalizada nos cargos de comando, mas postos estratégicos como diretoria financeira e presidência das empresas serão ocupados por novos executivos.

A troca de comando e a venda das participações dos fundos nas teles poderão ser o fim de uma batalha jurídica que se arrasta há anos. Desde a criação do chamado Fundo Nacional, com o objetivo de realizar investimentos na área de infra-estrutura, em 1997, os fundos de pensão e o gestor original do fundo, o Opportunity, mostram divergências nas decisões de investimento e na condução das empresas.

O fundo tem participações de controle na BrT (Brasil Telecom), na Telemig, na Amazônia Celular, no Metrô Rio e na Santos Brasil e participações minoritárias na Sanepar e na Telemar.

Após substituírem o Opportunity na gestão e assumirem os principais postos estratégicos das três teles, a Telemig deve ser a primeira a ser vendida. Segundo Guth, os fundos poderão seguir dois caminhos: entrar em acordo com o Opportunity para vender a Telemig a fim de elevar o preço dos ativos ou assumir a gestão da empresa e colocá-la à venda na qualidade de controladores, a hipótese mais provável. "Se o Opportunity não quiser cooperar com isso, nós vamos assumir na qualidade de controladores e colocar à venda de qualquer maneira", disse.


Venda conjunta
Os fundos ainda não decidiram sobre possível venda conjunta da Telemig e da Amazônia Celular. "A Telemig precisa fazer parte de estrutura de empresas celulares com alcance nacional. Provavelmente, a Amazônia deva ser vendida junto, mas há a chance de vender as duas separadamente."

Vivo e Claro foram as operadoras citadas com interesse nas duas empresas para fortalecer a atuação em Minas e no Amazonas.

Já a venda do controle da BrT deve ficar apenas para 2006. Segundo Guth, os interessados não querem comprar a empresa enquanto a disputa entre os controladores não estiver resolvida.

"Do ponto de vista estratégico, o setor de telecom precisa dessa reestruturação. Para os italianos (Telecom Itália), a compra de uma posição de (telefonia) fixa é uma coisa importante, é um setor que está num momento de desenvolvimento que pede essa consolidação. Temos ativos com valor estratégico na mão. Isso nos anima a pensar que vamos conseguir vender num prazo razoável."


Previ defende acordo com o Citigroup

DA FOLHA ONLINE, NO RIO

Os fundos de pensão e os representantes da Angra Partners (que reúne a participação dos fundos em teles) defenderam o acordo fechado com o Citigroup para tentar resolver problemas na BrT (Brasil Telecom). Segundo o diretor da Previ, Sérgio Rosa, o acordo gerou um valor muito grande para os fundos de pensão".

O centro da polêmica é o compromisso que a Previ assumiu com outros fundos de pensão de comprar até o final de 2007 as ações do Citi na cadeia de controle da BrT e da Telemar. Há questionamentos sobre o valor definido para a compra das ações e a falta de contrapartida do banco. A Previ se comprometeu a adquirir as ações, mas o banco não está sujeito à cláusula similar.

O presidente do fundo de pensão afirmou que a crítica de que o valor fixado, de R$ 1,3 bilhão, seria 300% superior ao valor de mercado das ações não se justifica. Segundo Rosa, quando os fundos compraram participação na BrT, o valor de mercado de cada ação era de R$ 6,6, e o preço mínimo definido foi de R$ 30,6. 0 preço pago ficou em R$ 32,1. A diferença em relação ao valor de mercado é dada pela venda do controle acionário, e não simplesmente de um grupo de ações.

A Previ justifica o valor da transação por meio do valor do capital próprio da BrT. O acordo considera o valor da empresa em R$ 12,4 bilhões. Segundo projeções de instituições financeiras, um patamar dentro da faixa estimada por analistas.

De acordo com Rosa, a ausência de contrapartida foi determinada pelas condições de assinatura do contrato. À época, o Citi ainda era aliado ao Opportunity, ainda ocupava a função de gestor do fundo estrangeiro. (JL)





JB - A5 - PAÍS - 05/08/05 (transcrição)

Prejuízo na Previ ajuda banqueiro


Presidente da Associação de funcionários do banco do Brasil pede
destituição de Sérgio Rosa, acusado de favorecer o Oppotunity

HUGO MARQUES

BRASÍLIA - Antes mesmo de ser rejeitada na CPI dos Correios, na quinta-feira, a proposta de quebra de sigilo bancário dos fundos de pensão das estatais expôs ainda mais as disputas políticas dentro da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Na condição de membro do conselho deliberativo da Caixa, o presidente da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), Valmir Camilo, abriu fogo contra o presidente da Previ, Sérgio Rosa. Uma briga que envolve interesses do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.

Sergio Rosa Valmir Camilo redigiu de próprio punho um "voto" no qual pede a destituição de Sérgio Rosa, ligado ao assessor especial da Presidência Luiz Gushiken. Valmir acusa Rosa de desrespeitar o estatuto da Previ e de tomar decisões unilaterais. Pela matemática de Camilo, o acordo da Previ com o Citigroup envolvendo problemas societários na Brasil Telecom e na Telemar teria sido fechado com um prejuízo para os fundos de pensão que investiram no negócio.

O prejuízo, na matemática de Camilo, atingiria R$ 170 milhões e estaria ligado ao câmbio retroativo do acordo, a novembro do ano passado. Outra tese de Camilo é que a Previ assumiu um prejuízo só com a função de quebrar o comando do Opportunity sobre as empresas negociadas.

O "voto" de Camilo foi distribuído para meia dúzia de órgãos públicos. O ex-presidente do conselho deliberativo da Previ, Henrique Pizzolatto, também recebeu cópia do voto de Camilo. É o mesmo Pizzolatto que mandou o contínuo da Previ sacar R$ 326 mil em dinheiro na conta do mensalão. Dinheiro que a CPI desconfia ter sido repassado pelas empresas de Dantas. Para as autoridades que investigam a corrupção em Brasília, é possível associar as denúncias contra Sérgio Rosa e os interesses de Daniel Dantas. O procurador Luiz Francisco Fernandes de Souza acha que Rosa virou o grande alvo do banqueiro depois que aplicou uma administração independente e de interesse dos fundos de pensão. O procurador avisa que não vai passar recibo de idoneidade em nome de ninguém envolvido nesta briga. Mas chama a atenção para o envolvimento de Dantas por trás de todos os episódios investigados até agora pela CPI dos Correios, seja no depoimento da secretária Fernanda Karina, nas transferências de dinheiro para a DNA Propaganda - que repassava a verba para o mensalão - ou na viagem de Valério a Portugal para negociar em nome da Telemig Celular, empresa do grupo de Dantas.

- Onde você cava, você encontra o Dantas - diz Luiz Francisco.

O procurador defende a quebra do sigilo bancário de Dantas. Luiz Francisco deseja que a CPI convoque o banqueiro para dar explicações. O procurador acha, sentado no banco da CPI, Dantas poderá trazer grandes revelações sobre o esquema descoberto pelo Congresso.

- É importante quebrar o sigilo do Dantas e chamar ele para depor. O Dantas foi o maior provedor de recursos para o Marcos Valério.

Daniel Dantas é réu em processo na Justiça Federal de São Paulo pelo envolvimento em uma organização criminosa transnacional que quebrou sigilos, fez escuta telefônica sem autorização e constrangeu desafetos. A Polícia Federal conclui que Dantas tem "posição superior" na estrutura da organização criminosa que envolve a Kroll Associates. Um dos espionados foi Gushiken. Apesar das conclusões da PF, até hoje os policiais não foram autorizados pela Justiça Federal a fazer perícia no disco rígido do computador do Banco Opportunity, que foi apreendido com autorização da própria Justiça Federal.

O poder de Dantas é grande no Congresso. Tem deputado do PSDB que admite ter medo de criticar Dantas. Na quinta-feira, Pompeo de Mattos (PDT-RS) conseguiu fechar acordo com a presidência da CPI para que o pedido de convocação de Dantas seja o primeiro a ser votado esta semana. Alguns parlamentares garantem que Dantas desta vez vai sentar no banco da CPI.





FSP - A3 - BRASIL - 24/07/05 (transcrição)

ESCÂNDALO DO MENSALÃO / FUNDO DE PENSÃO

Previ e Opportunity contestam Valério


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O banco Opportunity e a Previ, principais acionistas da Telemig, afirmaram ontem desconhecer a versão apresentada por Marcos Valério de que teria viajado a Lisboa para negociar a conta de propaganda da empresa, caso a Portugal Telecom viesse a comprá-la. Em depoimento à Comissão de Ética da Câmara na quarta-feira, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse que Valério, por orientação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, teria ido a Lisboa negociar com executivos da Portugal Telecom repasse de recursos para pagar de campanhas do PT e do PTB. Dirceu negou a versão de Jefferson. Valério disse que seu objetivo era negociar contratos com a Portugal Telecom.

Em nota, o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, negou ter enviado Valério à Europa e disse que nenhum profissional contratado para organizar o leilão de venda da Telemig foi a Portugal tratar do assunto.

O presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Sérgio Rosa, disse que soube do assunto pela imprensa. "Não tenho a menor idéia do que isso significa ou quem deu essa autorização (para Valério viajar) ou se isso realmente aconteceu".

Rosa conta que, no início do ano passado, soube do interesse da Vivo (empresa de que a Portugal Telecom tem 50%) pela Telemig. Em conversas com representantes da empresa, disse que a Previ gostaria de vender sua parte. Segundo Rosa, a Vivo não queria apenas a participação da Previ. "Disseram ter interesse em comprar a Telemig, então comunicamos aos demais sócios." Jefferson disse que Dirceu teria facilitado o acesso dos executivos da Portugal Telecom ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outubro do ano passado, Lula recebeu no Planalto o presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Três dias depois, o conselho deliberativo da Previ decidiu vender a Telemig e a Amazônia Celular. A Presidência da República divulgou nota dizendo que a visita de Horta foi para tratar de investimentos no Brasil. A Portugal Telecom negou que seus executivos tenham se reunido com Valério e disse que jamais trataram de negócios com financiamento de partidos políticos.





FSP - A14 - BRASIL - 24/07/05 (transcrição)

ESCÂNDALO DO MENSALÃO / FUNDO DE PENSÃO

Acusado de ser sacador de Valério, ex-diretor do BB afirma que ex-ministro
influenciava fundo e contratos de publicidade do banco


Pizzolato questiona acordo entre Previ e Citi

ENTENDA O CASO
  1. - Após privatização do Sistema Telebrás, em 1998, a legislação determinou que nenhum investidor poderia deter o controle de duas operadoras de telefonia

  2. - Os fundos acabaram participando do controle de duas operadoras (Telemar e Telemig Celular). São acionistas da Brasil Telecom e Tele Amazônia Celular

  3. - Em setembro de 2004, a Anatel decidiu que os fundos tinham de escolher entre ficar no controle da Telemig Celular ou da Telemar, maior operadora do país

  4. - Todos os estudos técnicos indicavam que os fundos deveriam ficar na Telemar. Paradoxalmente, os fundos decidiram ficar no controle da Telemig Celular

  5. - Paralelamente, os fundos assinaram um acordo com o Citigroup em março deste ano prometendo comprar suas ações na Telemar e na Brasil Telecom

  6. - Os fundos se comprometeram a pagar R$ 1,3 bi para serem acionistas majoritários das duas operadoras pagando 300% mais do que valem suas ações no mercado

  7. - O que causa estranheza ao conselho é que os fundos terão deixar o controle dessas operadoras até março de 2006, repassando as empresas adiante
JANAINA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL

A atual diretoria da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil - maior da América Latina -, ignora os participantes e tem fechado acordos para favorecer interesses políticos e governamentais, acusa Henrique Pizzolato, ex-diretor do BB e ex-presidente do Conselho Deliberativo da Previ.

Henrique Pizzolato "Meu nome está sendo fritado, metralhado, a mando dos que não querem que os acordos da Previ venham a público para ser esclarecido quem ganha e quem perde com eles." Petista histórico, Pizzolato pediu aposentadoria no dia 15, depois de a imprensa ter revelado que, por ordem sua, um contínuo que prestava serviços à Previ sacou R$ 327 mil de uma conta da DNA Propaganda no Banco Rural, em janeiro de 2004. Dias depois, o petista comprou um apartamento de R$ 400 mil. Parte do imóvel foi paga em dinheiro. Pizzolato diz que o saque não tem nenhuma relação com o negócio.

Abatido, sem a tradicional gravata borboleta, o ex-diretor do BB recebeu a Folha no escritório de seu advogado, em São Paulo. Na entrevista, Pizzolato sustentou que o ex-ministro Luiz Gushiken influenciava diretamente os fundos de pensão, era informado e dava opinião nos acordos da Previ antes deles serem conhecidos pelo Conselho do fundo de pensão do BB. Ele confirmou que nenhum contrato de publicidade acima de R$ 50 mil era fechado na área de publicidade sem obter sinal verde da Secretaria de Comunicação do Planalto, a Secom.

A versão de Pizzolato contraria o que sempre disse Gushiken. Apontado como o integrante do núcleo duro que decidia os rumos dos fundos de pensão, ele sempre negou qualquer tipo de ingerência nas instituições. A seguir, os principais trechos da entrevista

Folha - O sr. recebeu dinheiro da DNA para comprar o apartamento?
Henrique Pizzolato - Não. Ele foi comprado com meu próprio dinheiro, é só verificar no meu Imposto de Renda. Eu tinha uma aplicação e baixei. Consegui acumular US$ 30 mil porque queria fazer uma viagem. O dólar vinha caindo, então vendi boa parte.

Folha - Por que pediu ao contínuo para sacar o dinheiro da DNA?
Pizzolato - Eu não sabia o que era. Em janeiro de 2004 recebi um telefonema no meu celular de Belo Horizonte, da agência DNA. A pessoa se identificou dizendo que estava ligando em nome do presidente da agência, Francisco Castilho. Perguntou se eu poderia apanhar documentos da DNA em um escritório no centro. Liguei para a secretária e perguntei se alguém poderia ir buscar o pacote para mim. Ela colocou o Luiz Eduardo Ferreira da Silva, mais conhecido como Duda, na linha. Ele foi, trouxe o pacote e eu o guardei até o final do dia, quando um cara veio buscá-lo. Tocou a campainha, pegou o pacote e foi embora.

Folha - O sr. perguntou o que havia no pacote e quem era a pessoa?
Pizzolato - Não. Era um funcionário da DNA falando em nome do presidente da agência. Tenho dificuldades de guardar nomes.

Folha - O sr. tentou checar a história com Francisco Castilho?
Pizzolato - Antes não parecia importante. Agora? Do jeito que a DNA está? Ele sumiu.

Folha - E com a Previ?
Pizzolato - Na quinta à noite conversei com o Sérgio Rosa (presidente da Previ) e disse: "Foi uma cilada ou um incidente". A única coisa que ele disse foi: "Se vire. Você que está envolvido nisso".

Folha - A cúpula da Previ é do PT. O que mudou na relação de vocês?
Pizzolato - Tínhamos uma série de lutas em comum, mas é óbvio que isso não significa que haja lealdade. Eu já vivi isso na eleição para diretor na Previ, quando fui candidato contra o representante do Sindicato dos Bancários de São Paulo, o Toninho Nogueirol, que hoje é diretor da Telemar. Na época eu dividia o apartamento em Brasília com (Luiz) Gushiken (ex-ministro da Secom). Ele me disse que apoiaria a outra chapa, numa boa. Perto das eleições foram enviadas cartas com informações falsas sobre mim aos associados da Previ, O Gushiken disse que não sabia de nada e eu acreditei. E ganhei as eleições, apesar de tudo.

Folha - O sr. queria ser indicado presidente do BB. Está atacando os ex-companheiros por mágoa?
Pizzolato - Não. O problema é que a diretoria-executiva da Previ não gostava muito que o Conselho, do qual eu fazia parte, desempenhasse o seu papeL Um exemplo aconteceu com a Iberdrola na NeoEnergia, a antiga Guaraniana. O Conselho ficou sabendo depois e queriam que a gente aprovasse depois que tudo já estava assinado. Está tudo registrado em ata.

Folha - Por que o sr. não veio a público relatar o que acontecia?
Pizzolato - Há uma série de restrições. Se (um conselheiro) procurar a imprensa estando no quadro da ativa pode ser punido. Eu agora sou aposentado. O fato é que muitas vezes eles mandavam as coisas para serem aprovadas a toque de caixa ou "ad referendum". A questão se agravou a partir do segundo semestre do ano passado, por conta de uma decisão da Anatel que determinava à Previ fazer uma opção, de escolher em qual ativo de telefonia ela ficaria. A diretoria tomou uma decisão sem comunicar ninguém. Um dos conselheiros pediu uma reunião extraordinária para saber o que tinha acontecido e eu convoquei. No dia da reunião, o presidente da Previ viajou a Brasília e me ligou quando instalei a reunião. Disse que havia conversado com o ministro Gushiken, que estava indo ao encontro do ministro (Antonio) Palocci e que era para aguardamos, não tomar nenhuma decisão porque ele viria fazer um relato. O conselho decidiu marcar outra reunião para uns dias depois. Nessa reunião a gente resgatou um estudo que a Previ havia encomendado sobre a reestruturação do setor de telecomunicações. Pedimos em ata para a Previ levar esse parecer em consideração e aprofundar os estudos. Nesse mesmo dia, o Sérgio (Rosa) me chamou para uma sala privativa. Eu perguntei: "O que está havendo? Não estou entendendo nada". Ele disse: "Olha, tem interesse político nisso, tem gente querendo se meter aí, tem coisa de campanha no meio".

Folha - Que coisa
Pizzolato - Não quis entrar no mérito. Senti que tinham coisas que não eram só do âmbito da Previ porque, em vez de conversar com o Conselho ou com o presidente do banco, ele foi conversar com dois ministros. Eu disse para ele: "Nós temos de nos preservar". Ele disse: "A pressão está sendo muito grande. Se continuar eu não vou agüentar". Respondi: "Então a gente sai junto, mas vamos manter a nossa coerência".

Folha - Essa pressão era política?
Pizzolato - Ele só disse que havia uma pressão política sobre a questão das telecomunicações.

Folha - Mas ele afirmou que era uma questão de campanha?
Pizzolato - Ele falou que havia questões de campanha ligada a isso. O fato é que o Conselho nunca mais foi informado sobre o assunto (os motivos pelos quais a Previ escolheu ficar na Telemig e sair da Telemar). Por que a Telemig sendo que os estudos da Previ indicavam que deveria ser a Telemar? Ele disse é porque nós precisamos vender a Telemig e precisamos estar lá dentro. Não disse para quem. Se era para vender e ao invés disso ele está assinando um acordo que, ou vende junto, ou compra... Se ele tem uma determinação que ou sai de uma ou sai de outra. Então, se ele comprar ele tem de sair da Telemar. A conclusão é que existem muito mais interesses nisso do que os que vieram a público. É isso que fez com que eles tivessem tanto medo do que eu disse e ao mesmo tempo tanta raiva e me tratassem da forma como trataram. Um belo dia, eu fico sabendo por um fato relevante na imprensa que a Previ tinha feito um acordo com o Citi, para a venda conjunta dos ativos. Brasil Telecom, Telemig, Tele Amazônia e Telemar. Imediatamente liguei para ele e perguntei se o presidente do banco sabia disso. Ele disse que não tinha tido tempo de informar. Pedi urgente uma cópia do acordo.O Sérgio (Rosa) disse que mandaria. Por ordem dele foi um funcionário a Brasília que, em vez de trazer a cópia do acordo, levou a nota técnica com a decisão da diretoria, O argumento usado por ele é que o acordo com o Citi estava pulverizado em vários escritórios de advocacia e que isso dificultava reunir a documentação. Aí eu avisei ao Rossano (presidente do BB): "Isso aí, um dia, vai sobrar para nós". Até hoje não recebi cópia do acordo. Depois que o Conselho chamou uma reunião para discutir o assunto, o Sérgio fez uma exposição, não entregou nenhum documento e informou o conselho do acordo: em dois anos, se não vender de forma conjunta, os fundos têm de comprá-los. Ele disse que não gostaria de ter assinado, mas era a única forma que tinha de trazê-lo como parceiro. Foi questionado. Disse que tinha parecer jurídico de que estava na alçada dele e que não precisava consultar ninguém.

Folha - O que teria de errado nesse acordo dos fundos com o Citi?
Pizzolato - Estranhamos o acordo porque os fundos são obrigados a comprar a parte do Citi, mas o Citi não é obrigado a comprar a dos fundos. E isso não foi precificado. Há informações de que esse acordo valeria US$ 200 milhões. O indexador usado é o IGP-DI (que leva em conta a variação cambial) mais 5%. Não é o índice que a Previ usa, o IPC. Temos um prazo a cumprir, a Anael determinou. Com a proximidade do fim do prazo, as pessoas vão pagar o que eles querem.

Folha - Os fundos compraram o apoio do Citi?
Pizzolato - Se comprou apoio... É uma coisa que tem de ser muito investigada. Não é uma coisa normal. Eles foram assessorados o tempo todo pela Angra Partners, que tem pessoas vindas do Citi. Isso nunca foi colocado de uma forma transparente. Conheci essa Angra porque eles vieram à Previ uma vez fazer uma exposição sobre ferrovias. A gente não sabe qual é o contrato entre a Previ e ela. A diretoria fazia questões de não trazer essas informações. Saiu uma boataria de que eles teriam contratado o escritório de Mônica Góes, que, me disseram, era amiga do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal.

Folha - Havia ingerência de Gushiken nos fundos?
Pizzolato - Se você classificar como ingerência o fato de que ele se reunia com os presidentes dos fundos, sim. No caso específico.

Folha - Por que a Previ não daria ao sr. pleno direito de defesa?
Pizzolato - Vejo que havia um interesse de que eu saísse o mais rápido possível. Quando puderam me usar, me usaram. Depois, como legalmente eu tinha direito às informações, decidiram me tirar. Aí vieram os vazamentos de informações para a imprensa. Meu nome está sendo fritado, metralhado, a mando dos que não querem que venha a público e seja esclarecido para os associados da Previ e para o Banco do Brasil o que são esses acordos, quem ganha e quem perde com eles.

Folha - Quem foi beneficiado?
Pizzolato - Não posso falar em nome do governo. Mas (o acordo de put) pode ter sido para beneficiar pessoas e grupos, porque essas coisas são muito dinâmicas. Há seis meses, imaginar que Opportunity e italianos poderiam fazer um acordo era um sacrilégio. E o Citi e os fundos entrarem em acordo era algo fantasioso. Mas os acordos surgiram - de uma forma monocrática, que não respeita as instâncias - e envolvem muito dinheiro, interesses muito grandes. O que não pode é uma pessoa se avocar o direito e assinar acordos que envolvem recursos dessa monta e que são recursos que não são dele. A mando de quem? Se o conselho não pode saber, os associados também não foram informados. Quem autorizou?

Folha - O ministro Luiz Gushiken interferia nos fundos de pensão?
Pizzolato - Ele se reunia com os presidentes dos principais fundos de pensão e, pelo que relatavam, era para discutir assuntos relativos às entidades.

Folha - Ninguém questionou Rosa por conversar com ministros que não eram da área?
Pizzolato - Houve certo desconforto, mas todo mundo estava ansioso para saber o que era. Disse que a Previ estaria cumprindo a decisão da Anatel.

Folha - Ninguém reclamava da postura à Secretaria de Previdência Complementar?
Pizzolato - A SPC estava preocupada em criar a Previc e, no meu caso, a obrigação era me reportar ao BB. Foi o que fiz. Falei com Cássio Casseb e ele disse que não queria saber porque não era associado da Previ. Depois, falei com o Rossano (Maranhão, atual presidente do BB) e ele chamou reuniões com a Previ. Eu comecei a mandar para ele a cópia das decisões do fundo. Ele chamou a diretoria da Previ lá, mas o Sérgio Rosa não se reportava ao Rossano.

Folha - Como é a relação entre presidência e Conselho da Previ?
Pizzolato - Na cabeça do Sérgio, a gente estava lá de favor. Ele fazia o que bem entendia e a gente tinha de referendar. Se não referendasse, eles (da diretoria) ameaçavam. Quando começamos a discutir a questão das telecomunicações, eles colocaram quatro ou cinco técnicos dentro da sala que fizeram ameaças: "Se a decisão da diretoria não for mantida, os associados vão começar a mandar telegramas e a ligar para vocês, vão cobrar". Por isso, a gente decidiu que a gente tinha de mudar as práticas. Veja, eles assinaram um acordo de mais de um bilhão com o Citi às escondidas e depois a gente ficava sabendo por um fato relevante do Citibank na imprensa. Quando a gente tentou saber alguma coisa eles se irritavam e negavam informações.

Folha - Gushiken tinha ingerência sobre a propaganda do BB?
Pizzolato - Todos os contratos de publicidade e patrocínio só podiam ser fechados depois de passar por eles (da Secom). O mesmo acontecia para colocar as campanhas no ar. Tinha de mandar para lá qualquer campanha, patrocínios acima de R$ 50 mil. Eles diziam "0K" ou "muda".

Folha - Isso era só com o BB?
Pizzolato - Quarta-feira sim, quarta-feira não tinha reuniões lá (na Secom) para patrocínio. Pelo que eu saiba ia Petrobras, Correios, Caixa... Em tese, todas as empresas. Não sei se os ministérios tinham de ter carimbo de aprovado, como nós.

Folha - Como o sr. conheceu Marcos Valério?
Pizzolato - Foi no segundo semestre de 2003. Meu contato era o Francisco Castilho, o presidente da agência. Marcos Valério está no banco (contratado) desde o governo Itamar Franco. Ele tinha melhor relacionamento lá com outras pessoas.

Folha - O ex-ministro Gushiken soube detalhes do contrato de put?
Pizzolato - Ele não conversou nada disso comigo, mas eu acho que soube. O Sérgio (Rosa) dificilmente faria uma coisa dessas sem conversar com o Gushiken. Eu, como conselheiro, não soube. O presidente do BB não soube. Sei disso porque fui falar com ele. Informei que requeri cópia do acordo, mas só mandaram a um papel dizendo que a diretoria da Previ tinha tomado a decisão de aprovar. Uns dias depois o Rossano chamou uma reunião com toda a diretoria da Previ, do banco e os conselheiros. O Sérgio foi e disse que havia um problema: um conselheiro estava fazendo denúncias na imprensa e, por isso, ele acabou não falando nada sobre o put.




Fonte: Dinheiro Vivo - NOTÍCIAS - Telecomunicações - 21/6/2005 18:57 (transcrição)

Movimento 4: a aposta da Previ

Uma das estratégias de Dantas para forçar o acordo foi retirar
recursos da telefonia fixa para investir pesadamente na celular

Fonte: http://www.dinheirovivo.com.br/Content.aspx?Id=2671

Como reação, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, fechou um acordo de "put" com o Citigroup pelo qual se compromete, no prazo de dois anos, a adquirir sua participação por um valor pré-fixado. O valor, em dólares, foi convertido para reais. Com a apreciação cambial, vale hoje em dia o equivalente a US$ 420 milhões. O valor, em reais, será corrigido anualmente por IGP mais 5% ao ano. Dependendo do comportamento do câmbio, poderá cair abaixo de US$ 400 milhões, mas também poderá chegar a US$ 500 milhões.

A aposta da Previ é que, neste período, poderá agregar valor à empresa. Uma das estratégias de Dantas para forçar o acordo foi retirar recursos da telefonia fixa para investir pesadamente na celular. Com isso houve uma degradação nos serviços da fixa. A TIM sustenta que, com ela assumindo a operação, os ganhos seriam maiores, já que haveria a unificação dos serviços celulares, ela poderia remeter para a Brasil Telecom todo o fluxo de longa distância de seus 14 milhões de usuários. Já a Previ acredita que como a Brasil Telecom será a única porta de entrada para o mercado de telefonia fixa, haveria uma valorização de sua posição. A alegação da TIM é que jamais a British Telecom ou a Deutsche Telecom aceitariam pagar mais do que os 250% de ágio propostos pelo Citigroup. No mercado mundial, o preço das companhias de telecomunicações, em geral, é de cinco vezes o EBITDA. O preço pago pela Previ, especialmente após a valorização do real, chega a 18 vezes.

Em suma, há duas lógicas em jogo. Para a empresa Brasil Telecom, o ideal seria a unificação com a TIM, com os ganhos de sinergia decorrentes da unificação dos serviços de celular e de integração com o longa distância. Haveria mais agregação de valor para a empresa, mas não necessariamente para os fundos. A aposta da Previ é que, podendo leiloar a operação, poderia obter mais por sua participação. A grande incógnita é o preço oferecido ao Citigroup versus o potencial de ganho. A alegação da Previ é que o Santander pagou um ágio enorme pelo Banespa, porque havia um valor estratégico envolvido. E que o mesmo poderia ocorrer com a Brasil Telecom. Nesse jogo de desconfianças mútuas, até agora há apenas dois ganhadores claros: o Citigroup e Daniel Dantas.

Luís Nassif



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