Associação dos Participantes da PETROS Documento:
1) DUTRA sai da Petrobrás falando falando "abobrinhas":
'Déficit da Petros, de R$ 5 bi, é uma questão que gostaria de ter resolvido'
2) PDVSA x PB: Governo promete nova refinaria em Pernambuco

Fonte: http://oglobo.globo.com - 21/07/05
Objetivo Como Participar Opiniões Documentos Associados Fale Conosco
  Página Inicial


 
Fonte: http://oglobo.globo.com/jornal/economia/169135435.asp - 21/07/05


Comentários da Participe da APAPE:
Dutra sai falando "abobrinhas"
Ao se despedir da Petrobrás - antes do que esperava - Dutra demonstrou que foi tardia a decisão de retirá-lo do cargo. Deixou claro que ou não conhece a realidade de vários assuntos importantes ou faz questão de torcer a realidade. Em conseqüência criou um clima de confusão e insegurança para todos, seja o público externo, sejam os empregados, aposentados e pensionistas.

Refere-se ao fundo PETROS da seguinte forma:
"Este foi um grande problema que não concluímos. A última reunião do Conselho de Administração apontou para o modelo de um novo plano que será apresentado aos empregados, mas o Conselho não deliberou sobre a questão do déficit do Plano Petros. Há duas questões. Uma é que a Petros hoje tem um déficit atuarial de R$ 5 bilhões. Além disso, o plano como está é instável atuarialmente. Não adianta resolver esse déficit hoje, porque no ano que vem tem outro. Hoje, temos oito mil funcionários da Petrobras sem plano de previdência. Essa é uma questão que eu gostaria de ter resolvido. Mas ela está bem encaminhada".
De acordo com atuário Prof. Rio Nogueira, criador do Plano PETROS e que veio acompanhando seu desenvolvimento até r ecentemente*, não há déficit no Plano, muito pelo contrário. O que existe, se adotados parâmetros normais, é um superávit de mais de R$ 3 bilhões. Já comentamos sobre a matéria. Mais recentemente, Paulo Teixeira Brandão, presidente do Conselho Fiscal, trouxe à luz mais esclarecimentos publicados em: www.apape.org.br/ptb10065.htm.
* Obs.: O Prof. Rio Nogueira faleceu no mês de maio/05; deixa com os profissionais da empresa que liderava (STEA - Serviços Técnicos de Estatística e Atuária Ltda.) a incumbência de continuar seu trabalho.
Ainda recentemente, o Professor Rio Nogueira fez apresentação ao Conselho Deliberativo da PETROS demonstrando esta verdade. Ninguém o contradisse! Mas o que importa à Petrobrás é a criação de um fundo de Contribuição Definida que interessa a muitos - aos operadores do mercado financeiro em especial. Se o plano for mal administrado ou o agente financeiro quebrar, azar dos participantes, pois não haverá garantias para essas contingências. Só haverá uma certeza: nessas hipóteses o agente financeiro já terá "tirado o seu".

Dutra fala uma grande tolice quando afirma que o plano PETROS é instável atuarialmente. Ele não sabe ou faz de conta que não sabe. Na verdade: a Petrobrás deve vários aportes de recursos; a Petrobrás entregou títulos públicos que vencem até 2030 - e que podem no futuro, aí sim, trazer instabilidade, operação essa alvo de críticas desde que foi feita (pois só foi boa para a Petrobrás e não para a PETROS); a Petrobrás fechou ilegalmente (contrariando decisão judicial) o Plano Atual impedindo o ingresso dos empregados admitidos após 2002 (cerca de 8.000); etc.; etc.

É óbvio, contudo, que qualquer empreendimento tem seus riscos, principalmente quando mal administrado, com é o caso da PETROS. Mas apesar disso, a PETROS está superavitária!

Dutra diz que gostaria de ver resolvida a admissão de 8.000 novos "funcionários". Dutra esqueceu (ou faz de conta que desconhece) que há uma determinação judicial que deixa aos novos empregados a opção de ingressarem no Plano Atual. Conclui-se: foi ele que descumpriu decisão judicial e não satisfeito anuiu com a interposição de recursos protelatórios. Portanto, não é sincera a afirmação de que gostaria de ver resolvida a questão. Ele, Dutra, não quis resolvê-la!

Seu nacionalismo e patriotismo ficam bem caracterizados com a seguinte pérola:
"Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior, voto contra. Aquele cenário catastrofista que acreditava que ia acontecer não se confirmou. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 bilhões de barris em reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão de barris por dia e tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela".
É importante lembrar que o aumento de produção não foi decorrente da quebra do monopólio. Quando do advento Lei n º 9.478/97, que quebrou o monopólio, a Petrobrás já produzia mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia (e não 600.000). Dutra cometeu um "pequeno" erro de mais de 40%. Ao longo de sua história a Petrobrás sofreu, durante vários governos, restrições na área de investimentos embora tivesse recursos próprios para isso. O objetivo era o de reforçar o cofre desses governos. Dutra não quis abordar esse fato, preferiu deixá-lo de lado. Preferiu não se lembrar o que a Petrobrás poderia ter sido antes do início da década de 90 - e só não teve um sucesso maior porque os governos não permitiram. Portanto, a conclusão de Dutra é absurda e infundada. Só serve para desmoralizar a Petrobrás e seus empregados (e ele se diz companheiro).

Ao dizer que hoje votaria a favor da quebra do monopólio, confessa que não faz a diferença entre "alhos e bugalhos". Esqueceu-se ou fez de conta que não sabe, que para que diversos campos de petróleo pudessem ser licitados, a Petrobrás foi obrigada a permitir o acesso a dados sigilosos. Estes dados custaram um altíssimo investimento por parte da empresa; dados que permitiram aos interessados jogar um jogo de cartas marcadas, pagando quase nada por isso e deixando quase certo um lucro ao final.

Dutra não tendo conseguido se eleger nas eleições de 2002, ganhou do governo um prêmio: a Petrobrás. Embora se diga que tenha trabalhado anteriormente na Petrobrás, não se consegue vislumbrar qual foi a experiência adquirida, pois nem a história da empresa conhece (ou finge não conhecer). Talvez mesmo, por esta razão, tentou seguir a carreira política, sem um sucesso maior. Mas, com os amigos, conseguiu ser presidente da Petrobrás. Por esta razão sai declarando absurdos nos quais só os menos avisados conseguem acreditar.

Enquanto isso a Petrobrás se associa a PDVSA (empresa da Venezuela) para implantar uma nova refinaria possivelmente em Pernambuco. Do outro lado a Refinaria de Manguinhos está em vias de encerrar suas atividades.

Dentro desse cenário deplorável, não é sem tempo que Dutra sai. Nem deveria ter assumido, aliás seu comportamento claudicante sempre ficou visível enquanto esteve presidente.

ET.: Interessante observar que a jornalista, conhecedora de longa data dos bastidores da Petrobrás, se limite a publicar as ditas "abobrinhas" sem sequer realizar qualquer crítica a tão inverossímeis comentários do ex-presidente da Petrobrás.

26/07/05
Rodolfo HUHN
Diretor Financeiro da APAPE

Obs.: (Acepções usadas pelo autor; para efeito hermenêutico/processual)
Abobrinha: Regionalismo: Brasil. Uso: informal - afirmação que contém erro ou é, em si mesma, tola ou absurda
Fonte: Dic. Eletrônico Houaiss; Dic. Eletrônico Aurélio


Fonte: O GLOBO (Internet) - 21/07/2005 (transcrição)

'Déficit da Petros, de R$ 5 bi, é uma questão que gostaria de ter resolvido'


Rio, 21 de julho de 2005
Flávia Oliveira e Ramona Ordoñez

Ao se despedir da presidência da Petrobras, José Eduardo Dutra confessou uma frustração. A de não ter conseguido resolver o problema do déficit atuarial da Petros (fundo de pensão dos empregados da estatal), que em 2004 passava de R$ 5 bilhões. Dutra também admitiu que os dois anos e meio à frente da companhia o fizeram mudar de opinião em relação à quebra do monopólio no setor. Ele, que dez anos atrás esteve contra a abertura do mercado, hoje votaria a favor. A seguir, mais trechos da entrevista:

PETROS: "Este foi um grande problema que não concluímos. A última reunião do Conselho de Administração apontou para o modelo de um novo plano que será apresentado aos empregados, mas o Conselho não deliberou sobre a questão do déficit do Plano Petros. Há duas questões. Uma é que a Petros hoje tem um déficit atuarial de R$ 5 bilhões. Além disso, o plano como está é instável atuarialmente. Não adianta resolver esse déficit hoje, porque no ano que vem tem outro. Hoje, temos oito mil funcionários da Petrobras sem plano de previdência. Essa é uma questão que eu gostaria de ter resolvido. Mas ela está bem encaminhada".

MONOPÓLIO: "Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior, voto contra. Aquele cenário catastrofista que acreditava que ia acontecer não se confirmou. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 bilhões de barris em reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão de barris por dia e tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela".

BOLÍVIA: "Ainda não decidimos (ir à Justiça contra a mudança tributária na Bolívia). Estamos avaliando. Não tomamos nenhuma decisão, até porque em relação à Petrobras e Bolívia tem um componente diplomático que tem de ser considerado. Os contratos estão vinculados aos preços internacionais. Mas se os custos aumentarem muito pode chegar o momento em que os produtores, incluindo a Petrobras, queiram rediscutir os contratos".

INSERÇÃO INTERNACIONAL: "O foco continua sendo Oeste da África, Golfo do México e América Latina, por questões regionais. Mas estamos atentos a oportunidades e, por isso, voltamos a atuar no Irã e na Líbia. O Oriente Médio, apesar de toda a instabilidade política, é uma região onde toda empresa de petróleo que se preze tem que estar".

PLANO ESTRATÉGICO: "O calendário é apresentá-lo à diretoria na próxima semana e ao Conselho, no dia 29. O plano está praticamente concluído".

PETROLEIROS: "Posso dizer que fui plenamente vitorioso. Em dois anos, tivemos greve de um dia, mas nenhuma paralisação de produção. Como foi compromisso meu, uma questão que era de honra para os petroleiros foi resolvida: a greve de 1995. Todo mundo que quis voltar para a companhia voltou".




O GLOBO 21/07/05 - ECONOMIA

Rio, 21 de julho de 2005

Pernambuco deve sediar refinaria

Letícia Lins

RECIFE. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não anunciou oficialmente, mas praticamente garantiu ao governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), que a Refinaria do Nordeste (Renor) deverá vir mesmo para o estado. A Renor é disputada ainda por Ceará e Maranhão, e até mesmo pelo Rio de Janeiro.

Parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana PDVSA, a Renor exigirá investimentos superiores a US$ 2,5 bilhões. A refinaria vai gerar dez mil empregos durante a construção e terá capacidade para produzir 250 mil barris de petróleo por dia.

Lula disse ao governador que conversou terça-feira com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre o assunto e que o venezuelano também gostaria de ver a refinaria instalada no litoral Sul de Pernambuco, onde fica o complexo industrial portuário de Suape.

Após café da manhã com Lula, em um hotel, Jarbas esperava que o presidente anunciasse projetos estruturais como a própria refinaria e a Transnordestina, ferrovia que ligará os pólos de produção do Nordeste, como o Vale do São Francisco. Lula disse a Jarbas que em agosto voltará a Pernambuco com Chávez, para anunciar a refinaria.



Voltar à Seção: DOCUMENTOS  

Objetivo Como Participar Opiniões Documentos Associados Fale Conosco
  Página Inicial

 

Associação Nacional dos Participantes da Petros - APAPE
Av. Rio Branco, 156 - Salas 2514/15 - Centro
Rio de Janeiro - CEP 20040-004
Tel.: (21) 3473-2569
E-Mail: Envie um E-mail
adm@apape.org.br