Associação dos Participantes da PETROS Documento:ESCÂNDALO: CORRUPÇÃO NA BR (2)
Fonte: Tribuna da Imprensa - 14/11/02
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Fonte: Tribuna da Imprensa Online - Helio Fernandes - 14/11/02

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Outros documentos: Veja no Índice de documentos dos Escândalos na BR.

Leia, também:
1) Superfaturaram compra, querem fechar a BR para manter sigilo - 13/11/02
2) Orlando Galvão, ex-presidente da BR, e Julio Cesar, atual, U$ 80 mi na lama - 14/11/02 (este doc.)
3) A derrama da BR - 15/11/02



Orlando Galvão, ex-presidente
da BR, e Julio Cesar, atual,
80 milhões de dólares na lama

HELIO FERNADES

Ontem comecei a contar o volumoso desfalque da BR, acertado pelo ex e pelo atual presidente da BR, já citados no título. E com o favorecimento total do presidente do IDORT, Newton Silva. A BR já tem um desfalque apurado de mais de 80 milhões de dólares. (De dólares, de dólares, o que eleva a roubalheira a mais de 300 milhões de reais, que ainda, por simples acaso, continua sendo a nossa moeda).

Basta ler os processos que estão comigo, (e de onde vou tirando os dados) para conhecer os fatos e-s-t-a-r-r-e-c-e-d-o-r-e-s. Está nos autos: Orlando Galvão e seus diretores mais destacados, deram o golpe milionário em cima da BR. A partir de maio de 2001 veio novo presidente para a BR, o senhor Julio Cesar do Carmo Bueno, com outros executivos, e tudo continuou como estava.

O novo presidente manteve os entendimentos com o Ministro Ghisi, entendimentos iniciados pelo habilíssimo Orlando Galvão. Só que o Ministro Ghisi caiu na expulsória, não houve tempo para arquivar os processos. O novo Relator, Ministro Ubiratan Aguiar, ficou estarrecido, tocou os processos, o pânico é total.

Orlando Galvão é personagem conhecido. Julio Cesar do Carmo Bueno, novo presidente, tem passado suspeito igual, mas era praticamente desconhecido. Presidiu o INMETRO, e lá, estava envolvido em negociatas com o mesmo IDORT. Só que estas já haviam ultrapassado os 100 milhões de dólares. (De dólares, de dólares, hoje no mínimo 350 milhões de reais). Todo o seu passado de negociatas está minuciosamente contado, desvendado no processo do Tribunal de Contas da União 017.206/1996-0 e na Decisão/Acórdão 136/2000.

Perguntinha ingênua: como um homem com essas CREDENCIAIS conseguiu ser nomeado presidente da importante BR? É só perguntar ao senhor Francisco Gros, que é muito bem informado, sabe de tudo, contribuiu para esconder tudo.

Além dos vultosos prejuízos em dinheiro, existe um outro também gravíssimo: a desmoralização da BR e do conceito de uma empresa da mais alta importância. E como a Petrobras está envolvidíssima, vão repetir o slogan de sempre: "Não tem jeito, a Petrobras, (e lógico, a BR) tem que ser privatizada". Além do roubo, o descrédito.

O desespero do atual presidente da BR é mais do que visível. Mas o trânsito, transporte e trajetória das malas de dinheiro, dentro da empresa, precisam continuar e continuam. E os 4 funcionários de Julio Cesar, cujos nomes começam com R (como se fosse uma seleção da corrupção), permanecem no comando de tudo. Recebendo, pagando, distribuindo, carregando as malas. (Na BR fazem até brincadeira com esses funcionários. Como estão sempre com malas nas mãos, dizem que "ninguém viaja como eles". Viajam mesmo, da pobreza para a riqueza).

Estranho é o comportamento do presidente da Petrobras, Francisco Gros, e do seu Diretor Financeiro e de Relações com o Mercado. No caso da Plataforma P-50 defendiam que fosse construída no exterior. Justificavam: "Petrobras vai economizar 14 milhões de dólares". Mas não tiveram sensibilidade para perceber que o Brasil poderia gerar dezenas de milhares de empregos com a construção dessa Plataforma P-50 aqui no Brasil. No todo ou em parte.

Essas contradições da Petrobras estão claramente descritas nos processos TCU 008.780/1999-4 e TCU 010.837/2000-8. E os nomes de todos os responsáveis estão na D-E-C-I-S-Ã-O TCU 156/2001. Quiseram POUPAR 14 milhões, não fizeram nada para apurar o desvio de 80 milhões.

Que República.

* * *

Para que não haja dúvida, destacaremos os nomes dos responsáveis, falsificadores, aproveitadores das negociatas, fraudadores de tudo. Na antiga e na nova diretoria da BR. E sem esconder que a própria Petrobras se acumpliciou com o fato, por ordem e determinação do antigo e do atual presidente da empresa-mãe.

Orlando Galvão, ex-presidente da BR.
Julio Cesar do Carmo Bueno, atual presidente da BR.
José Henrique Barbosa David, Gerente de Controle Financeiro, durante todo o tempo de Orlando Galvão.
Venancio Igrejas Filho, Gerente Jurídico com Galvão e que continua no cargo até agora.
Newton Silva, presidente do IDORT, que tramou todo o escândalo com Orlando Galvão e manteve tudo intocado com o atual presidente.

Existem outros personagens menores mas tão comprometidos quanto esses citados. Só que, como em toda a administração no Brasil, o presidente de qualquer organização pode tudo. Ainda mais quando é garantido pelos que se intitulam de GERENTE FINANCEIRO ou GERENTE JURÍDICO. Aconteceu com Orlando Galvão, que saiu em 2001. E continuou com Julio Cesar do Carmo Bueno, que entrou e manteve tudo como estava.

Por que iria desmantelar o acordo? Galvão e Julio Cesar, (que pelo nome não se perca) eram beneficiários, não tinham o menor interesse de destruir ou inutilizar o acordo que produzia ao mesmo tempo LUCROS enormes e IMPUNIDADE ainda maior.

* * *

PS - Isso não pode cair no esquecimento, ser escondido, seqüestrado ou apadrinhado. Além de todos esses personagens, está envolvido GRAVEMENTE um Ministro do Tribunal de Contas da União, que paralisou o processo e iria arquivá-lo, não teve tempo.

PS 2 - O Ministro Ubiratan assumiu no lugar do Ministro Ghisi, movimentou tudo, botou o processo para andar. A expulsória do Ministro Ghisi, não impede que seja ouvido, e explique os encontros que teve com Orlando Galvão, e as conversas que manteve depois, com seu substituto, Julio Cesar do Carmo Bueno.

PS 3 - É muita lama para ficar escondida na escuridão do horário de verão.


Amanhã Querem fechar o capital da BR para ABSOLVEREM
os 3 últimos presidentes da Petrobras (incluindo o atual)
e mais o presidente da BR, Orlando Galvão.

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Outros documentos: Veja no Índice de documentos dos Escândalos na BR.

Leia, também:
1) Superfaturaram compra, querem fechar a BR para manter sigilo - 13/11/02
2) Orlando Galvão, ex-presidente da BR, e Julio Cesar, atual, U$ 80 mi na lama - 14/11/02 (este doc.)
3) A derrama da BR - 15/11/02


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