Associação dos Participantes da PETROS Documento:ESCÂNDALO: CORRUPÇÃO NA BR (3)
Fonte: Tribuna da Imprensa - 15/11/02
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Fonte: Tribuna da Imprensa Online - Helio Fernandes - 15/11/02

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Outros documentos: Veja no Índice de documentos dos Escândalos na BR.

Leia, também:
1) Superfaturaram compra, querem fechar a BR para manter sigilo - 13/11/02
2) Orlando Galvão, ex-presidente da BR, e Julio Cesar, atual, U$ 80 mi na lama - 14/11/02
3) A derrama da BR - 15/11/02 (este documento)



A derrama da BR

HELIO FERNADES

O Ministro Ghisi abafou, o Ministro Ubiratã revelou
A BR é a chamada terra de ninguém, devastada pela desadministração Orlando Galvão, protegido e patrocinado pelo então presidente da Petrobras, empresa-mãe. Os dois hoje, sócios num escritório de lobismo e negociação. (O Globo, há tempos, fez uma matéria sobre isso, e os dois sócios não conseguiram explicar a sociedade. Trabalharam juntos na empresa, saíram juntos, formaram juntos um outro negócio. Isso é que é afinidade).

O presidente da BR, quando saiu, se movimentou, para o seu lugar foi o companheiro de tênis, nada mais justo e agradável. O substituto de Orlando Galvão foi Julio Cesar do Carmo Bueno, que já vinha com "enormes credenciais". Havia sido denunciado por escandalosos negócios no INMETRO, negócios que beneficiavam espantosamente o IDORT.

Esse felicíssimo IDORT continuou sendo protegido e beneficiado na BR, e lógico, as possibilidades aqui eram bem maiores, as negociatas, mais vultosas. Só esta, denunciada, provada e divulgada, (da autoria do Ministro do Tribunal de Contas da União, Ubiratã Aguiar. Este reabilitou o Tribunal, que havia sido sepultado pela conivência do Ministro-Relator Ademar Ghisi).

Agora, tudo desvendado, Orlando Galvão (e seus superiores), Julio Cesar Bueno (e seus superiores) serão devidamente enquadrados. Mas o Ministro Ghisi não pode ser esquecido. O fato de ter caído na expulsória não o absolve. Acontece que foi a expulsória que impediu o arquivamento de tudo. E quando favoreceu os negocistas estava em plena atividade.

* * *

O contrato BR-IDORT era estranho, inadequado e equivocado desde o início. Depois passou a ser escandaloso, vergonhoso, vexaminoso. Basta ver o seguinte, c-o-m-p-r-o-v-a-d-í-s-s-i-m-o: começou com o valor declarado de 600 mil reais, e vigência de 1 ano. No dia 31 de janeiro de 1997, o contrato já havia terminado. O que não impediu que o diretor Reinaldo Villardo Aloy determinasse o pagamento ao IDORT da importância de 27 milhões, 381 mil, 107 dólares e 79 centavos. O contrato de 600 mil reais passava a ser em dólares.

Alguns diretores da BR não concordaram e até contestaram esses pagamentos, foram silenciados pelo próprio diretor Villardo, que explicava: "Cumpro ordens do presidente Orlando Galvão". Cumpria-se (e continua sendo cumprido) um princípio muito observado na administração: "Eu não investigo o passado para que amanhã não se investigue o meu presente". A expulsória do Ministro Ghisi comprometeu o futuro de Orlando Galvão, Julio Cesar Bueno, Villardo, Venancio Igrejas Filho, e muita gente. E pode levar ao banco dos réus, até mesmo o ex e o atual presidente da empresa-mãe, a própria poderosa Petrobras.

Esses pagamentos não eram feitos a céu aberto, e sim creditados numa CONTA FANTASMA do Banco Itaú. Uma Auditoria interna da própria BR descobriu coisas incríveis. Mas os que protestavam, foram imobilizados pela palavra do vice-presidente da BR (ficou no cargo de 20 de julho de 1995 a 12 de janeiro de 1999), que disse aos diretores divergentes: "Seguimos ordens do presidente Orlando Galvão, que por sua vez recebe ordens do Planalto".

* * *

Apesar dos protestos e comentários internos, os pagamentos continuavam. Na mesma CONTA FANTASMA, do mesmo Itaú. Apesar do contrato vencido desde 1997, foram pagos pela BR ao IDORT mais 13 milhões, 503 mil, 530 reais e 82 centavos. (Este pagamento já foi em real. O anterior era em dólar, porque na época dólar-real estavam quase emparelhados. A partir de janeiro de 1998, segundo mandato, é que o dólar disparou).

O estranho, (tudo é estranho ou criminoso) é que nenhum centavo entrou na contabilidade do IDORT. O Planalto continuou "monitorando" tudo, pelo menos é o que dizia o então diretor, Reinaldo Villardo, que transmitia ao então e ainda gerente de Controle Financeiro, Carlos da Rocha Velloso, o que chamava de ORDENS DE Orlando Galvão.

Surpreendente, mas isto tudo foi investigado, desvendado e documentado pelo AUDI (órgão de Auditoria Interna da BR), só que ninguém foi responsabilizado ou sequer afastado dos cargos. TODOS FORAM MANTIDOS, MAS TODOS MESMO. Até que com a queda de alguns poderosos do Planalto, muitos fossem substituídos, sem qualquer punição.

O que se espera agora: que essa impunidade termine, cesse a imunidade.

* * *

PS - Esse grupo se envolveu num outro escândalo fabuloso: compra/futura de álcool, mediante pagamento antecipado a usineiros. Esse então, é ainda mais espantoso, mostrava o poder do grupo.

PS 2 - Faziam pagamentos em dólares na modalidade endosso/aceite. Recebiam no exterior em contas criminosamente abertas pela BR Distribuidora. Estou apurando os detalhes desta escabrosa operação.

PS 3 - Acreditam que FECHANDO o capital da BR, a própria Petrobras, empresa-mãe, possa se REDIMIR DE TUDO. Não pode, foi feito antes.

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Outros documentos: Veja no Índice de documentos dos Escândalos na BR.

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1) Superfaturaram compra, querem fechar a BR para manter sigilo - 13/11/02
2) Orlando Galvão, ex-presidente da BR, e Julio Cesar, atual, U$ 80 mi na lama - 14/11/02
3) A derrama da BR - 15/11/02 (este documento)


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